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Em Brasília, o jardim também foi projetado

Antes de o mundo falar em natureza e arquitetura juntas, Burle Marx já pintava com plantas no Planalto Central. Conheça o paisagismo que faz da capital uma cidade tão verde quanto monumental.

⏱ 7 min de leituraAtualizado em 17/06/2026

Quando se pensa em Brasília, vem o concreto — a Catedral, o Congresso, os palácios. Mas há uma segunda Brasília, igualmente projetada: a verde. Antes de "arquitetura sustentável" virar expressão da moda, Roberto Burle Marx já tratava o jardim como parte da obra, e não como enfeite. Esta é a cidade vista pelo paisagismo.

Jardins de Burle Marx em Brasília: massas de plantas tropicais compostas como pintura.
Jardins de Burle Marx em Brasília: massas de plantas tropicais compostas como pintura.Foto: Sintegrity (CC BY-SA 4.0) · Wikimedia Commons

Burle Marx: o homem que pintava com plantas

Burle Marx descobriu a flora brasileira numa estufa em Berlim, na Alemanha — viu lá as plantas que cresciam ignoradas no quintal de casa e percebeu que eram um tesouro. Voltou ao Brasil e revolucionou o paisagismo: em vez de copiar os jardins geométricos europeus, compôs massas orgânicas de espécies tropicais, como pinceladas numa tela. Em Brasília, seus traçados conversam com as curvas de Niemeyer — natureza e arquitetura falando a mesma língua moderna. Ele é um dos nomes que deram alma à cidade →

O Jardim Botânico de Brasília preserva o Cerrado em trilhas e espelhos d'água.
O Jardim Botânico de Brasília preserva o Cerrado em trilhas e espelhos d'água.Foto: Daderot (CC0) · Wikimedia Commons

O Cerrado: a beleza que parece seca, mas é viva

O bioma que cerca Brasília é o segundo maior do Brasil — e um dos mais incompreendidos. À primeira vista, árvores tortas e capim. Olhando de perto, uma das floras mais ricas do planeta: o ipê que floresce amarelo, rosa e roxo no auge da seca, as frutas nativas, as veredas de buriti. O Cerrado ensina uma lição de paisagismo que o mundo agora redescobre: trabalhar com o clima, não contra ele.

A vegetação do Cerrado: aparência rústica, biodiversidade riquíssima.
A vegetação do Cerrado: aparência rústica, biodiversidade riquíssima.Foto: Renato Menezes Caffer (CC BY-SA 4.0) · Wikimedia Commons

Um jardim que resiste ao Planalto

Quem mora ou se hospeda em Brasília aprende rápido: o clima é quente e seco boa parte do ano, com meses sem chuva. Jardim que vinga aqui é jardim inteligente — espécies nativas e adaptadas, sombra pensada, irrigação eficiente. Algumas escolhas que funcionam:

  • Árvores: ipês, oitis e a sombra generosa do flamboyant.
  • Cor o ano todo: bougainville (primavera), que adora sol e seca.
  • Baixa manutenção: agaves, suculentas e gramíneas ornamentais.
  • Identidade local: espécies do próprio Cerrado, que pertencem à terra.

Quando o jardim faz parte da hospedagem

Foi essa filosofia — integrar verde, água e arquitetura — que guiou nossas casas. O Jardim dos Sentidos leva a ideia ao limite: paisagismo pensado para ser vivido, não só admirado. Acordar com o canto dos pássaros, tomar o café entre as plantas, mergulhar na piscina cercada de verde. Em Brasília, o jardim nunca foi acessório. Na Villela Stay, também não.

Perguntas frequentes

Quem foi Roberto Burle Marx?
Roberto Burle Marx (1909–1994) foi paisagista, pintor, botânico e artista plástico brasileiro, reconhecido internacionalmente por transformar o paisagismo em arte. Foi pioneiro no uso de plantas tropicais nativas e desenhou jardins emblemáticos em Brasília, no Rio e pelo mundo. Em Brasília, assina os jardins do Itamaraty, entre outros.
O que plantar num jardim de clima quente e seco como o de Brasília?
Espécies adaptadas à seca e ao sol forte funcionam melhor: plantas do próprio Cerrado, suculentas, ipês, bougainville, agaves e gramíneas ornamentais. O segredo é trabalhar com a vegetação nativa — que resiste à estiagem — e prever sombra e irrigação eficiente para os meses secos.
Vale a pena visitar o Jardim Botânico de Brasília?
Sim. O Jardim Botânico de Brasília preserva a flora do Cerrado em trilhas, lagos e jardins temáticos, sendo ótimo para caminhadas e contato com a natureza nativa. Combina muito bem com o terceiro dia de um roteiro pela cidade.

Acorde cercado de verde

Nossas casas integram jardim, piscina e arquitetura — a mesma ideia que Burle Marx levou para Brasília. O Jardim dos Sentidos é a expressão máxima disso: hospedagem onde o paisagismo é parte da experiência, não cenário.

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